TICS NO ENSINO DE GEOMETRIA: UMA PROPOSTA PARA O 6º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL

Jonatas Moreira Costa Silva, Selma Alves de Oliveira, Michel da Costa

Resumo


Este trabalho propõe um modelo inovador para o ensino de geometria no 6º ano do Ensino Fundamental, desenvolvido especificamente para contextos com limitações tecnológicas, como o município de Vitória da Conquista-BA, onde 67% das salas não possuem projetores e apenas 12% dos professores têm formação em TICs (SME-VDC, 2023). Partindo da contradição entre o alto acesso a smartphones (92% dos alunos) e as dificuldades em geometria (apenas 38% de proficiência), a pesquisa oferece uma abordagem que combina tecnologias acessíveis (GeoGebra off-line, Google Earth) com materiais do cotidiano, sempre com alternativas para situações sem recursos. Fundamentada em Moran (2015), Penteado (2007) e D'Ambrosio (1996), a proposta utiliza o Design-Based Research (Anderson, 2022) para criar atividades que transformam espaços urbanos locais em ambientes de aprendizagem, conectando conceitos abstratos à realidade dos estudantes. A intervenção inclui um sistema de avaliação multidimensional com portfólios digitais, mapas afetivos e rodas de conversa envolvendo alunos, professores e comunidade. Como etapa exploratória da proposta, foi realizada uma prática com uma turma do 7º ano do Instituto Educacional Betseda, em Vitória da Conquista, por meio da atividade “Explorando Polígonos no GeoGebra”. A aplicação incluiu construções digitais, debates conceituais e um formulário avaliativo, cujos resultados demonstraram que 90% dos alunos conseguiram identificar corretamente o conceito de polígono, 70% reconheceram polígonos regulares e 100% classificaram corretamente figuras simples como triângulos. Esses resultados indicam que, mesmo em um nível escolar diferente do originalmente previsto, a metodologia mostrou-se eficaz e replicável. Os resultados esperados englobam desde o aumento no engajamento (40%, com base em Silva, 2020) até a formação de "agentes geométricos comunitários". O diferencial está no modelo de implementação gradual, que permite começar com uma única aula-teste usando apenas celulares e expandir para projetos interdisciplinares, servindo como alternativa viável para escolas públicas brasileiras. O trabalho demonstra como a educação matemática inovadora é possível mesmo com recursos limitados, desde que haja criatividade pedagógica e valorização dos saberes locais, oferecendo tanto um referencial teórico quanto ferramentas práticas para professores.

 


Palavras-chave


Ensino de geometria. TICs acessíveis. Educação matemática. GeoGebra. Aprendizagem contextualizada.

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ISSN - 1982-6109 - Qualis: A4 - Quadriênio 2017-2020